"-Mas tem gente que não entende assim." //"-É. É por isso que a gente tá aqui.": a sessão de grupo socioeducativo para homens autores de violência contra a mulher e a (re)construção discursiva de masculinidades

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Title: "-Mas tem gente que não entende assim." //"-É. É por isso que a gente tá aqui.": a sessão de grupo socioeducativo para homens autores de violência contra a mulher e a (re)construção discursiva de masculinidades
Author: Soares, Vanessa Arlésia de Souza Ferretti
Abstract: O modo como o gênero discursivo sessão de grupo socioeducativo se articula com os processos de (re)construção de masculinidades é o tema desta pesquisa, que focaliza um grupo socioeducativo para homens autores de violências contra a mulher, localizado em uma cidade do Sul do Brasil e vinculado às políticas públicas de assistência social do município e ao poder judiciário local. O estudo objetiva analisar de que forma o gênero discursivo sessão de grupo socioeducativo opera na (re)configuração de masculinidades. Para tanto, elenca como embasamento teórico aportes sociológicos sobre masculinidades (CONNELL, 2003; CONNELL; MESSERSCHIMIDT, 2013; NOLASCO, 1993; KIMMELL, 1998 entre outros), sobre as transformações da intimidade na modernidade tardia (GIDDENS, 1993; 2002) e sobre a relação entre modelos de masculinidade historicamente legitimados e a violência (BOURDIEU, 2010; CHAUÍ, 1985; WELZER-LANG, 2001 entre outros). Além disso, a análise mobiliza como categorias centrais os instrumentos teórico-metodológicos advindos da Análise Crítica de Gêneros (BAKHTIN, 2003; BONINI, 2004; 2007; 2010; 2011; 2013; CHOULIARAKI; FAIRCLOUGH, 1999; FAIRCLOUGH, 2001; 2003; MEDIVÉDEV, 2016; VOLOCHINOV, 2014 entre outros). Metodologicamente, a pesquisa é uma análise qualitativa e crítica, que mobiliza instrumentos etnográficos (observação participante, notas de campo, gravações em áudio entre outros) (MASON, 1998; ERICKSON, 1988) e elege como dado central de análise as transcrições de 12 sessões do grupo, com cerca de 1h30min de duração cada uma, geradas ao longo de doze meses de pesquisa de campo. A análise dos dados aponta que o grupo se relaciona com uma rede de práticas, sobretudo com práticas da esfera jurídica, cujos discursos são reverberados na sessão, implicando disputas acerca de identidades e masculinidades possíveis. Especificamente, disputam-se os discursos que constroem masculinidades vinculadas ao homem trabalhador e ao criminoso . Além disso, os processos de construção de masculinidades são marcados por embates acerca do horizonte temático da sessão de grupo, momento em que há participantes que reconhecem a necessidade de mudanças nas relações de gêneros pautadas na violência e outros que dissimulam essa necessidade. A natureza aberta do grupo, ou seja, o fato de participarem dele tanto homens encaminhados pela Justiça quanto homens que frequentam de modo voluntário, mostrou-se um aspecto positivo da estruturação composicional do gênero sessão e da arquitônica dessa prática, cujas implicações sobre masculinidades figuram processos conflituosos de ressignificação de violências. Este aspecto implica embates gerativos de horizontes axiológicos que contribuem para a legitimação de aspectos convergentes a masculinidades alternativas, principalmente no que tange a práticas de divisão do trabalho, manejo emocional e reconhecimento de violências simbólicas.Abstract : This thesis focuses on a socio - educational group practice for men who are authors of violence against women. This group has existed since 2004, in a city in the South of Brazil. It is linked to municipal public policies of social assistance and to the judiciary. This policy is part of the broader context of combating gender-based violence, especially in marital relations. Broadly speaking, this thesis investigates how the discursive genre group session articulates with the processes of (re)construction of masculinities. For such purposes, hence, Sociological studies on masculinities (CONNELL, 2003, CONNELL; MESSERSCHIMIDT, 2013; NOLASCO, 1993, KIMMELL, 1998); on transformations of intimacy in late modernity (GIDDENS, 1993; 2002) and on relations between models of historically legitimized masculinity and violence (BOURDIEU, 2010; CHAUÍ, 1984; WELZER-LANG, 2001 among others) base this research. In addition, the analysis mobilizes as central categories, which made the relations under scrutiny intelligible, the theoretical-methodological tools derived from the Critical Genres Analysis (BAKHTIN, 2003; BONINI, 2004, 2007, 2010, 2011; 2013, CHOULIARAKI; FAIRCLOUGH, 1999; FAIRCLOUGH, 2001; 2003; MEDIVÉDEV, 2016; VOLOCHÍNOV, 2014 among others). Methodologically, this research is a qualitative and critical analysis, which impulses ethnographic instruments (participant observation, field notes, audio recordings, to mention a few) and selects the transcripts of 12 sessions of the group, each lasting around 1h30min , and taped over the twelve months of field research. The analysis of the data indicates that the group is related to a network of practices, mainly with legal sphere practices, whose speeches reverberated in the session, implying disputes about possible masculinities and identities. Specifically, the discourses that construct masculinities in relation to working man and criminal man are disputed. Furthermore, the processes of constructing masculinities are marked by discussion conflicts about the thematic horizon of the group session, when some participants recognize the need for changes in gender relations based on violence while others deny this need. The open nature of the group, that is, the participation of both men sent by Justice and men who attend voluntarily, was a positive aspect of the compositional structuring of this genre, whose implications on masculinities are conflicting processes of re-signification of violence. This aspect implies generative clashes of axiological horizons that contribute to the legitimacy of aspects converging to alternative masculinities, mainly in what concerns practices of division of labor, emotional management and recognitions of symbolic violence.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Linguística, Florianópolis, 2018.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/193489
Date: 2018


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