Ainda há o que fazer, mas já não mais aqui!: uma análise semântico-pragmática de ainda e já não mais

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Ainda há o que fazer, mas já não mais aqui!: uma análise semântico-pragmática de ainda e já não mais

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Title: Ainda há o que fazer, mas já não mais aqui!: uma análise semântico-pragmática de ainda e já não mais
Author: Gritti, Letícia Lemos
Abstract: Esta tese investiga a contribuição semântica e pragmática do item lexical ainda e, por consequência, de sua contraparte negativa, já não mais, em português brasileiro. Inicialmente, discutem-se as interpretações que ainda pode receber e propõe-se uma classificação. A partir disso, a análise se concentra no ainda que disponibiliza a interpretação de continuação, repetição e adição, leituras também geradas pelas formas correlatas de ainda em outras línguas: francês, italiano, alemão e inglês. Por isso, trouxemos a discussão dos trabalhos de Donazzan (2011, 2008), Löbner (1989, 1999), Van der Auwera (1993) e Ippolito (2004). Este trabalho mostrou que a presença de ainda não interfere no tempo verbal das sentenças, tampouco, no aspecto verbal, mas é licenciado pelo último, por isso a discussão dessas categorias em outras línguas e no português brasileiro. Baseada nela, o trabalho verificou que a leitura de continuação dada pelo ainda (a mais recorrente), preferencialmente, é encontrada no aspecto verbal imperfectivo e a leitura de adição, no perfectivo, mas propôs um quadro das interpretações disponíveis nos dois aspectos, mais no futuro. A partir disso, mostrou que o ainda (continuativo e repetitivo) faz parte de um sistema de dualidade presente nas línguas, no qual sua contraparte negativa é o já não mais e não..também a contraparte do ainda aditivo. Por isso, propôs uma semântica unificada para esses três usos de ainda e seu dual. A tese defendida é que o ainda, assim como seu dual, não alteram as condições de verdade da sentença, mas restringem seus contextos de uso porque introduzem uma pressuposição de um evento que está contextualmente relacionado ao evento veiculado pela sentença. Essa proposta, além de dar conta dos usos de ainda continuativo e repetitivo, também abarca o aditivo e os casos no futuro, o que as propostas para os correlatos de ainda nas outras línguas não fizeram. Além disso, o trabalho propôs que além da contribuição semântica de ainda e já não mais, eles também veiculam um significado pragmático em forma de implicatura. Assim, sistematicamente, foi mostrado que ao preferir utilizar uma sentença com o ainda e com o já não mais, o falante tende a não ser breve, violando a máxima de modo de Grice (1975), mas como o falante, supostamente, quer ser cooperativo, ele escolhe a forma com o ainda e o já não mais, querendo dizer algo a mais. Dessa forma, implica que há no fundo conversacional compartilhado uma expectativa e que, ao proferir a sentença com os itens analisados, ele é atualizado, informando que a situação veiculada pela sentença é contrária à expectativa, logo, gera uma implicatura conversacional generalizada de contra-expectativa <br>
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Linguística, Florianópolis, 2013
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/107174
Date: 2013-12-05


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