| dc.contributor |
Universidade Federal de Santa Catarina. |
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| dc.contributor.advisor |
Vidal, Camila Feix |
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| dc.contributor.author |
Costa, Mayla Yasmim dos Santos |
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| dc.date.accessioned |
2026-09-22T19:42:33Z |
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| dc.date.available |
2026-09-22T19:42:33Z |
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| dc.date.issued |
2026-08-14 |
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| dc.identifier.uri |
https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276766 |
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| dc.description |
TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Socioeconômico, Relações Internacionais. |
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| dc.description.abstract |
A Amazônia configura um espaço socialmente produzido. Inventada no interior do capitalismo como fronteira permanente de recursos, a região foi disputada por narrativas que buscaram apagar a densidade e a complexidade das culturas e povos que a habitam. Nesse território, a marcha do colonizador e a do missionário raramente deixaram pegadas distintas. Esta pesquisa examina como missões transconfessionais estadunidenses, de cunho evangélico, foram instrumentalizadas pela política externa dos Estados Unidos para a manutenção hegemônica na Amazônia brasileira entre 1910 e 1988. Sob essa perspectiva, compreende-se a expansão missionária como forma ideológica decorrente de determinações materiais que articulam fé, política externa e a inserção da Amazônia na Divisão Internacional do Trabalho. Para tanto, adota-se o materialismo histórico-dialético como orientação teórica metodológica e mobilizam-se a teoria gramsciana a partir dos Aparelhos Privados de Hegemonia, a formulação althusseriana dos Aparelhos Ideológicos de Estado, as leituras gramscianas acerca da hegemonia nas Relações Internacionais e o debate sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo weberiano. De natureza qualitativa, a investigação combina revisão bibliográfica, análise documental de registros missionários e de documentos oficiais brasileiros e estadunidenses, exame de fontes jornalísticas e estudo comparado de quatro organizações (WEC, UFM, MNTB e SIL), com centralidade analítica no SIL, tomando o rio Jatapu, território dos povos Okoymoyana, Xowyana e Kararayana, como estudo de caso empírico. Os resultados evidenciam que a fé, articulada à assistência social, permitiu às missões ocupar o espaço de um Estado periférico deliberadamente ausente. Tal engrenagem viabilizou a fabricação do consenso via assistência material e a difusão de uma ética individualista e escatológica que deslocou o conflito social para o plano espiritual. Ademais, gerou conhecimento linguístico, geográfico e demográfico posteriormente mobilizado por agências governamentais e empresas estrangeiras. No Jatapu, a sequência cronológica entre a presença missionária, o deslocamento forçado, o apagamento dos etnônimos e a consequente abertura do território à mineração e à extração madeireira demonstra como a conquista das almas antecede e viabiliza a exploração do subsolo. A partir dessa análise, o trabalho propõe três contribuições conceituais: o Aparelho Privado de Hegemonia Transnacional; o Aparelho Privado de Hegemonia Transconfessional, especificado por seis critérios operacionais: transnacionalidade, autonomia denominacional, especialização técnica na tríade fé-educação-saúde, ciclo de autoctonia, invisibilidade territorial e inteligência estratégica; e o sincretismo enquanto dialética, compreendido simultaneamente como ato de resistência subalterna e condição de durabilidade da hegemonia. Aplicados às quatro organizações analisadas, os critérios produzem resultado deliberadamente heterogêneo, de modo que a categoria não distribui rótulos de pertencimento, mas mede graus de especialização, permitindo identificar, em outros tempos e espaços, a modalidade específica de aparelho que submete a terra ao capital por meio da fé e diferenciá-la de ações missionárias que não cumprem essa função. Em síntese, as evidências são consistentes com as hipóteses da pesquisa, com a ressalva de que o efeito estrutural de permeabilização do território independe da intencionalidade individual dos agentes missionários e de que a reconstituição da cadeia causal completa foi viável apenas em território indígena documentado por processo demarcatório. A dominação, contudo, revela-se incompleta: recusas, expulsões e retornos sazonais ao território ancestral inscrevem, na própria documentação do domínio, a permanência da luta hegemônica. |
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| dc.description.abstract |
The Amazon is a socially produced space. Invented within capitalism as a permanent resource frontier, the region has been disputed by narratives that sought to erase the density and complexity of the cultures and peoples who inhabit it. In this territory, the march of the colonizer and that of the missionary have rarely left distinct footprints. This research examines how United States transconfessional missions of an evangelical character were instrumentalized by US foreign policy for hegemonic maintenance in the Brazilian Amazon between 1910 and 1988. From this perspective, missionary expansion is understood as an ideological form arising from material determinations that articulate faith, foreign policy, and the insertion of the Amazon into the International Division of Labor. To this end, historical-dialectical materialism is adopted as the theoretical-methodological orientation, drawing upon Gramscian theory on the Private Apparatuses of Hegemony, Althusser's formulation of the Ideological State Apparatuses, Gramscian perspectives on hegemony in International Relations, and the debate on Weber's Protestant ethic and the spirit of capitalism. Qualitative in nature, the investigation combines a literature review, documentary analysis of missionary records and of Brazilian and United States official documents, examination of journalistic sources, and a comparative study of four organizations (WEC, UFM, MNTB, and SIL), with analytical centrality on SIL, taking the Jatapu River, territory of the Okoymoyana, Xowyana, and Kararayana peoples, as an empirical case study. The results show that faith, articulated with social assistance, allowed the missions to occupy the place of a deliberately absent peripheral State. This machinery enabled the fabrication of consent through material assistance and the diffusion of an individualist and eschatological ethic that displaced social conflict onto the spiritual plane. It further generated linguistic, geographic, and demographic knowledge subsequently mobilized by government agencies and foreign companies. In the Jatapu, the chronological sequence linking missionary presence, forced displacement, the erasure of ethnonyms, and the consequent opening of the territory to mining and logging demonstrates how the conquest of souls precedes and enables the exploitation of the subsoil.
From this analysis, the work proposes three conceptual contributions: the Transnational Private Apparatus of Hegemony; the Transconfessional Private Apparatus of Hegemony, specified by six operational criteria: transnationality, denominational autonomy, technical specialization in the faith-education-health triad, cycle of autochthony, territorial invisibility, and strategic intelligence; and syncretism as dialectic, understood simultaneously as an act of subaltern resistance and a condition for the durability of hegemony. Applied to the four organizations analyzed, the criteria yield a deliberately heterogeneous result, so that the category does not assign labels of membership but measures degrees of specialization, making it possible to identify, in other times and places, the specific type of apparatus that subjects land to capital through faith and to distinguish it from missionary undertakings that do not perform this function. In sum, the evidence is consistent with the hypotheses of this research, with the caveat that the structural effect of rendering territory permeable does not depend on the individual intentionality of missionary agents, and that the full causal chain could only be reconstructed in an indigenous territory documented by a demarcation process. Domination, however, proves incomplete: refusals, expulsions, and seasonal returns to ancestral territory inscribe, within the very documentation of domination, the persistence of hegemonic struggle. |
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| dc.format.extent |
140 f. |
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| dc.language.iso |
por |
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| dc.publisher |
Florianópolis, SC. |
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| dc.rights |
Open Access. |
en |
| dc.subject |
Política externa dos Estados Unidos |
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| dc.subject |
Amazônia brasileira |
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| dc.subject |
Fé e território |
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| dc.subject |
Missões protestantes |
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| dc.subject |
Aparelhos Privados de Hegemonia |
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| dc.title |
O caminho do céu passa pelo Norte: análise da instrumentalização de missões transconfessionais pela política externa dos Estados Unidos na Amazônia brasileira (1910-1988) |
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| dc.type |
TCCgrad |
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