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A pecuária brasileira, com um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, baseia-se em pastagens que ocupam cerca de 160 milhões de hectares, tornando o país o principal produtor e exportador de carne e leite. No entanto, a deposição de dejetos a pasto e o uso de fertilizantes nitrogenados são potenciais emissores de óxido nitroso (N₂O), gás com elevado potencial de aquecimento global. A escassez de dados medidos a campo no Sul do Brasil gera incertezas nos inventários nacionais de gases de efeito estufa. Diante disso, este trabalho teve como objetivo quantificar os fluxos e determinar os fatores de emissão (FE-N₂O, % do N aplicado emitido como N₂O) de fertilizante mineral e excretas bovinas em pastagem de Urochloa brizantha cv. Marandu no Planalto Catarinense (Curitibanos, SC). O experimento foi conduzido em delineamento em blocos casualizados com quatro repetições, compreendendo os tratamentos: Testemunha (solo não fertilizado), Ureia (180 kg N ha⁻¹), Urina bovina e Esterco bovino. Os fluxos de N₂O foram monitorados ao longo de 94 dias (11/02 a 15/05/2026) por meio do método de câmaras estáticas fechadas e cromatografia gasosa. As condições climáticas apresentaram precipitação acumulada de 331,8 mm, temperatura média de 17,4 °C e umidade relativa de 85,1%. As maiores taxas diárias de emissão concentraram-se nos primeiros 31 dias pós-aplicação. A Ureia promoveu resposta rápida e intensa, com pico máximo no 7º dia após aplicação (DAA) de 95,66 g N-N₂O ha⁻¹ dia⁻¹, seguido de segundo pulso no 15º DAA (90,45 g N-N₂O ha⁻¹ dia⁻¹). As excretas animais apresentaram dinâmica temporal defasada, com picos no 24º DAA: 43,91 g N-N₂O ha⁻¹ dia⁻¹ para Urina e 50,20 g N-N₂O ha⁻¹ dia⁻¹ para Esterco. A partir do 31º DAA, houve redução acentuada nas emissões, convergindo para valores basais até o 94º DAA. As perdas cumulativas de N₂O foram significativamente superiores nos tratamentos fertilizados (1.121,5 g N ha⁻¹ para Ureia; 743,4 g N ha⁻¹ para Urina; e 557,2 g N ha⁻¹ para Esterco) em comparação à Testemunha (-309,1 g N ha⁻¹), a qual atuou como dreno líquido de N₂O atmosférico. Os fatores de emissão obtidos foram de 0,79% para a Ureia, 0,38% para a Urina e 0,16% para Esterco bovino, com a Ureia sendo significativamente superior ao Esterco (p = 0,0126). O FE da Ureia foi 21% menor que o padrão global do IPCC (1,0%) e o da Urina representou praticamente a metade (49% inferior) do valor de 0,77% preconizado. Apenas o Esterco (0,16%) apresentou valor acima do padrão internacional de 0,13%, porém dentro do erro-padrão da média. Esses resultados comprovam que as diretrizes internacionais superestimam o impacto da pecuária em pastagens no Sul do Brasil, reforçando a necessidade da desagregação entre urina e esterco e da consolidação de fatores de emissão regionalizados de Nível 2 (Tier 2) para o clima e solos do Planalto Catarinense. |
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