Herança das línguas africanas: o caso da entoação decrescente e partícula /a/ nas sentenças interrogativas polares em Lung’Ie

DSpace Repository

A- A A+

Herança das línguas africanas: o caso da entoação decrescente e partícula /a/ nas sentenças interrogativas polares em Lung’Ie

Show simple item record

dc.contributor Universidade Federal de Santa Catarina. pt_BR
dc.contributor.advisor Agostinho, Ana Lívia dos Santos
dc.contributor.author Weege, Camila
dc.date.accessioned 2026-08-10T13:27:25Z
dc.date.available 2026-08-10T13:27:25Z
dc.date.issued 2026-07-13
dc.identifier.uri https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/274797
dc.description TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Língua Portuguesa e Literaturas em Língua Portuguesa. pt_BR
dc.description.abstract Neste trabalho pretendemos analisar sentenças interrogativas em Lung’Ie, com foco nas interrogativas polares, a fim de compreender suas características entoacionais. O Lung’Ie é uma língua crioula de base lexical portuguesa falada na Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe. Sua formação remonta ao período de colonização portuguesa, sendo um dos ramos do Protocrioulo do Golfo da Guiné (PGG), originado do contato entre o português europeu e línguas do Delta do Níger e da região do Congo-Angola, faladas por povos escravizados levados às ilhas. De acordo com pesquisas anteriores (Ferraz, 1979; Bandeira, 2017; Agostinho, 2019), além do Lung’Ie existem outras três línguas crioulas derivadas do PGG: Santome (ou Forro) e Angolar (AN), faladas em São Tomé e Príncipe, e Fa d’Ambô (FA), falada em Ano Bom, na Guiné Equatorial. Como mostra Agostinho, Araújo e Santos (2019), com exceção do Angolar, essas línguas apresentam uma partícula interrogativa final em perguntas polares, representada fonologicamente pela vogal baixa /a/ ou por /aN/, traço também encontrado em línguas do grupo edo, da região do Delta do Níger (Clements e Rialland, 2007; Rialland, 2009). O aporte teórico deste estudo fundamenta-se na Linguística de Contato, na Fonologia Entoacional e nos estudos sobre línguas crioulas. A pesquisa apoia-se nas contribuições de Thomason (2001) sobre contato linguístico; de Muysken e Smith (1994), Arends (1994), Holm (2004), Hagemeijer (2009; 2011) e Lucchesi (2019) acerca da formação e reestruturação das línguas crioulas; no modelo métrico autossegmental de Pierrehumbert (1980) e Ladd (2008), complementado pelo sistema ToBI e pelos estudos de Gussenhoven (2004), Jun (2014), Garcia (1986), Moraes (2008), Nunes (2015) Antunes (2026) sobre entoação e prosódia; além das contribuições de Rialland (2007, 2009), Clements e Rialland (2007) sobre traços prosódicos africanos, e de Agostinho e Hyman (2021) e Agostinho, Araujo e Santos (2019) para a descrição fonológica do Lung'Ie. Essa pesquisa dialoga com estudos sobre o Fa d’Ambô (Agostinho; Araujo; Santos, 2019), nos quais os autores analisaram o mesmo fenômeno na língua de Ano Bom. Para isso, nos baseamos em um corpus (Agostinho, 2014) de áudios de 183 sentenças em Lung’Ie, gravado em 2014 pela orientadora deste trabalho, que foram tratadas no software para análises acústicas Praat (Boersma e Weenink, 2025). Para a análise, utilizamos o script Prosogram (Mertens, 2020), cujo foco é computar e fornecer uma representação gráfica dos parâmetros acústicos e perceptivos da fala, com foco principal nas variações de pitch. Os resultados revelam que as interrogativas polares acompanhadas da partícula apresentam um padrão entoacional decrescente, similar ao contorno das sentenças declarativas, tendo a partícula, portanto, uma função sintática. Em contrapartida, as sentenças produzidas sem a partícula exibem uma entoação crescente-decrescente, padrão mais próximo do português brasileiro (PB) (Moraes, 2008; Nunes, 2015; Agostinho, Araujo e Santos, 2019; Antunes, 2026). Dessa forma, com este estudo, contribuímos para a descrição das características suprassegmentais dessa língua, lançando luz sobre processos de formação histórica das línguas crioulas e sobre os efeitos do contato linguístico, ao mesmo tempo em que evidencia a preservação de traços africanos na gramática do Lung’Ie. pt_BR
dc.format.extent 100 pt_BR
dc.language.iso por pt_BR
dc.publisher Florianópolis, SC. pt_BR
dc.rights Open Access. en
dc.subject Lung'Ie pt_BR
dc.subject Partícula interrogativa pt_BR
dc.subject Entoação pt_BR
dc.subject Contato linguístico pt_BR
dc.subject Línguas crioulas pt_BR
dc.title Herança das línguas africanas: o caso da entoação decrescente e partícula /a/ nas sentenças interrogativas polares em Lung’Ie pt_BR
dc.type TCCgrad pt_BR


Files in this item

Files Size Format View Description
Camila_Weege_-_ ... vas_polares_em_Lung'Ie.pdf 5.053Mb PDF View/Open TCC

This item appears in the following Collection(s)

Show simple item record

Search DSpace


Browse

My Account

Statistics

Compartilhar