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Abstract:
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O câncer de mama é uma neoplasia de caráter heterogêneo e com registros de 2,3 milhões novos diagnósticos e 670 mil mortes no ano de 2022. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerado o câncer mais comum em mulheres. A heterogeneidade da doença traz à comunidade científica a necessidade de busca por novos biomarcadores de prognóstico, como, por exemplo, de estudos que propõem o ligante de morte celular programada 1 (PD-L1) e o antígeno 4 associado a linfócitos T citotóxicos (CTLA-4) como alvos de tratamento, devido à expressão dessas proteínas nas células tumorais estarem associadas a ação imunossupressora, que contribui para a progressão da doença e, por consequência, um pior prognóstico. Algumas pesquisas mostram a importância das células que compõem o microambiente tumoral, principalmente os linfócitos T citotóxicos, que são considerados como importantes marcadores de prognóstico em pacientes com carcinoma de mama. Esses biomarcadores de prognóstico, além das células tumorais e dos linfócitos T, podem ser encontrados e avaliados na superfície de vesículas extracelulares (VEs) circulantes, também relacionados ao processo fisiopatológico da doença. Dessa forma, este trabalho tem como objetivo avaliar a importância da detecção e análise de VEs em sangue periférico (SP) de mulheres com câncer de mama, como biomarcador prognóstico e de metástase. Para isso, como parte da proposta para as atividades do bolsista PIBIC 2024/2025, foi necessário realizar a padronização do método de isolamento e de caracterização das VEs. Os resultados mostraram que a abordagem metodológica utilizada permitiu a detecção específica das VEs, com redução dos eventos após a lise e boa reprodutibilidade entre as amostras. Além disso, foi avaliado o compartimento de células T e fenótipo das VEs circulantes. Os resultados mostram que houve um aumento na frequência de células T duplo negativo, redução na expressão de HLA-DR em linfócitos TCD4+ e TCD8+, diminuição de células TCD8+ centrais de memória, aumento na expressão de PD-1 em TCD8+, diminuição na frequência de células T CD8+CD25+ e diminuição de VEs PD-L1+ em comparação aos controles saudáveis. Esses dados sugerem que as pacientes com câncer de mama estão em um estado de exaustão celular, caracterizado por menor ativação das células T, redução de células de memória e aumento na expressão de PD-L1. O conjunto de resultados demonstram o papel da imunossupressão sistêmica como um mecanismo de escape tumoral e podem auxiliar na identificação de alvos terapêuticos imunomoduladores. |