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Introdução: Evidências indicam que a compreensão pública acerca da formação médica dos
anestesiologistas e de suas responsabilidades clínicas permanece limitada. Embora diversos estudos
observacionais tenham avaliado as percepções das pessoas leigas acerca do assunto, ainda não há
uma síntese quantitativa da conscientização global. Esta meta-análise busca preencher essa lacuna.
Métodos: Foram incluídos apenas estudos envolvendo pacientes cirúrgicos. Estudos com amostras
compostas por estudantes de medicina ou profissionais de saúde foram excluídos. Realizou-se uma
busca sistemática nas bases de dados PubMed, Web of Science, EMBASE, LILACS, Cochrane
CENTRAL e Google Scholar. Foram analisados 19 desfechos relacionados ao conhecimento sobre
as funções e a formação dos anestesiologistas. Os desfechos primários incluíram o reconhecimento
dos anestesiologistas como médicos e a compreensão de que são especialistas titulados, com
formação por meio de residência médica.
Resultados: Esta meta-análise incluiu 62 estudos, totalizando 19.129 participantes. A estimativa
agrupada da proporção sobre o reconhecimento dos anestesiologistas como médicos foi de 71,9%
(IC 95%: 65,0–77,0%; I² = 97,3), enquanto o reconhecimento de sua formação como especialista
foi de 63,4% (IC 95%: 49,0–76,0%; I² = 98,1). A identificação dos anestesiologistas como médicos
aumentou proporcionalmente ao Índice de Desenvolvimento Humano dos países, passando de
53,5% em países de IDH médio para 78,8% naqueles com IDH muito alto (Q = 17,71; gl = 2; p =
0,0001). Um gradiente semelhante foi observado quanto ao reconhecimento da sua formação como
especialista: 21,9% em países de IDH médio, 67,2% em IDH alto e 76,0% em IDH muito alto (Q =
13,16; gl = 2; p = 0,0014). O nível educacional também apresentou associação significativa, com o
reconhecimento dos anestesiologistas como médicos aumentando de 55,1% para 75,4% entre os
quartis educacionais (Q = 220,73; gl = 3; p < 0,0001).
Conclusão: Aproximadamente 72% dos leigos reconhecem os anestesiologistas como médicos,
enquanto a consciência sobre sua certificação especializada obtida por meio de residência médica
permanece consideravelmente inferior, em 63%. Intervenções educacionais direcionadas —
especialmente em contextos de menor IDH e baixos níveis educacionais — devem ser priorizadas
por sociedades de anestesiologia, instituições de saúde e autoridades políticas, com o objetivo de
aprimorar a educação em saúde dos pacientes, fortalecer o reconhecimento da anestesiologia como
especialidade médica e favorecer melhores desfechos em saúde. |
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