Memória e história nas publicações de Guido Alcalá: testemunho da ditadura militar paraguaia

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Memória e história nas publicações de Guido Alcalá: testemunho da ditadura militar paraguaia

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Título: Memória e história nas publicações de Guido Alcalá: testemunho da ditadura militar paraguaia
Autor: Zomer, Lorena
Resumo: Este trabalho tem o objetivo de analisar as publicações do jornalista e escritor Guido Rodríguez Alcalá, como literatura testemunhal referente à ditadura militar paraguaia (1954-1989) de Alfredo Stroessner, produzida em parte ainda durante o período ditatorial 1970-1990, como também nas décadas posteriores. Considero tais publicações um acontecimento baseado no testemunho do escritor, uma proposta analisada entre os princípios da História e da Memória, tendo a literatura como fonte, cujo objetivo é oferecer outras versões à memória da ditadura militar paraguaia e à da história paraguaia, esta, por vezes, apenas narrada pelos chamados revisionistas. Tal análise é realizada em conjunto aos interesses que têm norteado as pesquisas da região do Cone Sul na América Latina e que presenciou diversas ditaduras civis militares na segunda metade do século XX. Guido Alcalá era estudante quando foi preso após manifestações nas ruas e em um jornal estudantil, o que também o incentivou a sair do país em busca de convívio com escritores e para fazer cursos literários, culminando no interesse por contos. Esse gênero (e outros) estava(m) sendo discutido(s) na Europa por diversos escritores da América Latina em processo de exílio ou de fuga das circunstâncias ditatoriais durante as décadas de 1970-1980, escritores que nem sempre eram do Cânone literário. Nesse contingente, as publicações desses escritores foram atravessadas pela resistência em não aceitar tais condições, o que potencializou a escrita deles como um testemunho em uma ?situação limite?. Nesse sentido, parte da escrita literária latino-americana dedicou-se a fazer críticas às ditaduras civil-militares e às suas atitudes arbitrárias por meio de enredos. Neste texto, os contos são o cerne de boa parte da pesquisa, os quais estão publicados em três livros Curuzú Cadete: cuentos de hoy y de ayer, Cuentos e Cuentos Decentes, livros publicados entre 1987 a 1993. Além da literatura, Guido Alcalá preocupou-se em escrever um volume da Série Nunca Más, Testimonio de la represión política en el Paraguay e ensaios, tais como Literatura del Paraguay, Narciso e Ideología Autoritaria. Suas duas entrevistas, que compõem o corpus de fontes, são respectivamente de 2008 e de 2014, nas quais Guido Alcalá afirma que havia nele o objetivo de denunciar crimes de Stroessner. Muitos desses foram relembrados em entrevistas, a fim de dar a ideia de que Alcalá utilizou a sua escrita para criticar uma possível cultura política ditatorial, o que é também um ato para dar ?sentido? à sua trajetória literária, um gesto comum durante o ato de rememorar, considerando os princípios da Memória. No decorrer do trabalho, compreendi que a história paraguaia tem sido explorada, em especial sobre processos históricos do século XIX e, por isso, procurei entender o modo como as publicações de Alcalá mostravam possíveis problemas, elementos de relações sociais, de gênero e de um cotidiano. A resistência não é só presente apenas nas(os) ações das(os) personagens dos enredos ou na escrita dos ensaios de Guido Alcalá; resistência era alterar a sua trajetória de vida e utilizando a sua escrita, mesmo que obliterada, contudo persistente para dar sentidos ao que lhe ocorria.
Descrição: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História, Florianópolis, 2017.
URI: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/180912
Data: 2017


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