O javali (Sus scrofa linnaeus, 1758) na região do Parque Nacional das Araucárias : percepções humanas e relação com regeneração da Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze

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O javali (Sus scrofa linnaeus, 1758) na região do Parque Nacional das Araucárias : percepções humanas e relação com regeneração da Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze

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Título: O javali (Sus scrofa linnaeus, 1758) na região do Parque Nacional das Araucárias : percepções humanas e relação com regeneração da Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze
Autor: Batista, Graziele Oliveira
Resumo: As invasões biológicas podem representar ameaça para espécies nativas, ecossistemas e para o bem-estar humano. Entretanto, a percepção das pessoas sobre as espécies invasoras depende da cultura das pessoas envolvidas quanto do organismo invasor; assim uma invasão pode ser considerada negativa da perspectiva ambiental e positiva por alguns setores da sociedade devido seus aspectos ornamentais, recreativos ou econômicos. Não obstante, as comunidades locais podem contribuir com o conhecimento ecológico sobre a história natural dos animais e com dados quantitativos sobre caça que podem fornecer informações sobre padrões de distribuição geográfica, demografia, abundância de espécies e pressão de caça. A forma selvagem do javali (Sus scrofa) está presente no Brasil desde a década de 1960 e sua distribuição no país já atinge quase todos os biomas, exceto a Amazônia. Embora a invasão em Floresta Ombrófila Mista seja recente, aproximadamente 10 anos, o javali apresenta sobreposição de 78% com esta fitofisionomia da Mata Atlântica. A espécie Araucaria angustifolia é o principal componente arbóreo da Floresta Ombrófila Mista e é considerada uma espécie ameaçada de extinção. O javali pode afetar a regeneração das araucárias pela extensa perturbação que causa ao revolver a terra em busca de recursos subterrâneos para alimentação, pelo pisoteio das plântulas e pela predação de sementes. Assim, objetivou-se analisar a estrutura demográfica de Araucaria angustifolia na região do Parque Nacional das Araucárias (PNA), entender o uso da área do PNA pelo javali e sua relação com a regeneração de araucárias e compreender a percepção humana sobre o javali em comunidades locais na região do Parque Nacional das Araucárias. Foram realizadas parcelas e transectos na região do PNA para compreender a estrutura populacional de araucárias na região e a relação do javali com a regeneração de araucárias, experimento de remoção de sementes para analisar a relação da predação de sementes de araucárias por javali e pela fauna nativa. Adicionalmente, foram utilizadas armadilhas fotográficas para verificar o uso da área do PNA pelo javali e realizadas entrevistas nas comunidades do entorno do PNA para entender a percepção das pessoas sobre esses animais e sobre o impactos que causam. A densidade média de indivíduos de araucárias foi de 187,5 ± 201,2 ind.ha-1 e 50,9% dos indivíduos pertencem a classe regeneração. A maioria das áreas com grande densidade de indivíduos de araucárias em regeneração no PNA ocorreu na região fitoecológica de campo, com vestígios de javali, presença de gado e em solos menos profundos (neossolo e cambissolo). A densidade de javali parece estar temporariamente estável (0,48 ind/Km2) e a espécie não está uniformemente distribuído na região do PNA. A abundância de javali foi negativamente relacionada ao percentual de área agrícola; quanto maior o percentual de área agrícola, menor a abundância de javali. Provavelmente devido a maior pressão de caça nas áreas agrícolas e a disponibilidade de recursos na mata durante todo o ano enquanto nas áreas agrícolas os recursos estão disponíveis principalmente no verão. As variáveis do modelo que melhor explicaram a variação encontrada na densidade e altura de araucárias em regeneração foram a região fitoecológica, litossolo, densidade de indivíduos adultos, as áreas fuçadas por javali e riqueza de médios e grandes mamíferos. Em relação a percepção das pessoas sobre o javali na região, 86,1% dos colaboradores consideraram negativa a convivência entre os proprietários rurais com o javali por causa dos prejuízos que este animal causa na lavoura principalmente no milho (82,8%) e na soja (34,5%). No que tange as plantas nativas, os colaboradores relataram que o javali consome principalmente pinhão (91,7%), guabiroba (47,2%) e imbuia (30,6%) e interfere na regeneração das espécies nativas (27,8%). Os colaboradores relataram a existência de caça em 55,5% das propriedades, principalmente caça ativa com cachorros (65%). Portanto, o javali é uma espécie frequente em relação aos mamíferos de médio e grande porte nativos na região do Parque Nacional das Araucárias e causa prejuízos ambientais e sócio-econômicos na região. Assim, deve ser realizado planejamento específico de controle e monitoramento dessa espécie exótica invasora na região do Parque, além de buscar estratégias de mitigação para os pequenos agricultores locais, incentivar estudos e o uso do conhecimento ecológico local para embasar ações de manejo.<br>Abstract : Biological invasions can be a threat to native species, ecosystems and human well-being. However, the human perception about invasive species depends on their culture and the aspect of invasive species. An invasion may be considered negative from an environmental perspective and positive for some sectors of society because of their ornamental, recreational or economic aspects. Nevertheless, local communities can contribute to the ecological knowledge about the natural history of animals and the number of hunts can provide information about distribution patterns, demographics, abundance of species and hunting pressure. The wild boar has been present in Brazil since the 1960s and its distribution in the country has already reached almost all biomes, except for the Amazon. Although the invasion of Humid Mixed Forest is recent, about 10 years, the boar has overlap of 78% with this vegetation type. The Araucaria angustifolia is the main arboreal component of Mata de Araucaria and is an endangered species. The boar can affect the regeneration of araucaria by the extensive disruption it causes by turning over the soil in search of underground resources for food, the trampling of seedlings and seed predation. The objective was to analyze the demographic structure of Araucaria angustifolia in the region of the Araucaria National Park (PNA), understand the use of the PNA area for wild boar and its relationship with the regeneration of araucaria, as well as understand human perception of the boar in communities in the Araucaria National Park region. Parcels and transects were used in the PNA region to understand the population structure of araucarias and the boar's relationship with the regeneration of araucarias, seed removal experiment to analyze the relationship of araucaria seed predation by wild boar and the native fauna. In addition, camera traps were used to verify the use of the PNA area for the wild boar and interviews in the communities close to the PNA to understand human perception of these animals and the impacts they cause. The average density of araucaria subjects was 187.5 ± 201.2 ind.ha-1 and 50.9% of individuals are in the regeneration class. Most areas with high density of araucaria individuals in regeneration in the PNA occurred in the phytoecological region of the field, with wild boar remains, presence of cattle and shallower soils (neosoil and cambisoil). The boar density seems to be temporarily stable (0,48 ind/Km2) and the species is not evenly distributed in the PNA region. The abundance of wild boar was negatively related to the percentage of agricultural area; the higher the percentage of agricultural area, the lower the abundance of wild boar. Probably due the hunting pressure in agricultural areas and the availability of resources in the forest throughout the year while in agricultural areas the resources are mainly available in the summer. The variables of the model that best explained the variation found in the density and height of araucaria regenerating were phytoecological region, lithosoil, density of adults, surfaces dug by boars, and large mammals. Regarding human perception of the boar in the region, 86.1% considered the coexistence among landowners with the wild boar negative because of the damage this animal causes in the fields mainly in corn (82.8%) and soybean (34.5%) crops. Regarding native plants, they reported that the boar feeds mainly of araucaria (91.7%), guabiroba (47.2%) and imbuia (30.6%) and interferes with the regeneration of native species (27.8%). They reported the existence of hunting in 55.5% of the properties, mainly active hunting with dogs (65%). Therefore, the boar is a common species in relation to the native medium and large-sized mammals in the region of the Araucaria National Park and cause environmental and socioeconomic damage in the region. specific planning control and monitoring of this exotic invasive species should be carried out in the park area, and mitigation strategies for small local farmers should be sought, encouraging studies and the use of local ecological knowledge to support management actions.
Descrição: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Florianópolis, 2015.
URI: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/156542
Data: 2015


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