A Criança e sua rede familiar: significações do processo de hospitalização

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A Criança e sua rede familiar: significações do processo de hospitalização

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Título: A Criança e sua rede familiar: significações do processo de hospitalização
Autor: Menezes, Marina
Resumo: O processo de doença e hospitalização representa uma experiência comum na infância, no entanto, a maioria das crianças não é esclarecida nem preparada para enfrentar o ambiente hospitalar. A despeito da informação e da comunicação adequada representar um direito do paciente infantil e seu acompanhante, na prática não se observa sua ocorrência. O presente estudo qualitativo objetivou compreender as significações do processo de hospitalização a partir da perspectiva da criança hospitalizada e seu acompanhante. Participaram 20 crianças com idades entre 5 a 12 anos e seus acompanhantes, perfazendo um total de 40 participantes, sendo utilizada com as crianças uma entrevista semi-estruturada e desenhos temáticos sobre doença e hospitalização e com os acompanhantes utilizou-se uma entrevista semi-estruturada e o mapa de redes, além das observações sistemáticas, realizadas com registro cursivo e as anotações do diário de campo. Os dados foram analisados a partir da Teoria Fundamentada Empiricamente através da análise de conteúdo das entrevistas e da análise desenvolvimentista dos desenhos. Os resultados evidenciaram que as crianças possuíam conhecimentos sobre o processo de saúde e doença, sendo que os mesmos foram relacionados à evitação de comportamentos de risco e ao desenvolvimento de comportamentos de saúde. O hospital foi definido como o local onde as pessoas são tratadas para o restabelecimento da saúde, e a vivência da hospitalização foi caracterizada por sentimentos e experiências positivas e negativas. A análise dos desenhos revelou que as crianças menores demonstraram ser mais afetadas pela hospitalização, revelando regressão em suas habilidades gráficas. As crianças maiores apresentaram características gráficas que evidenciaram sentimentos depressivos e de vulnerabilidade relacionados à situação de hospitalização. Os acompanhantes revelaram conceitos de saúde e doença de crianças relacionados à evitação de comportamentos de risco e à falta de cuidados parentais. O hospital foi definido como um local que trata as doenças, mas restringe e isola, causando sofrimento. Também os acompanhantes evidenciaram sentimentos e experiências positivas e negativas referentes à vivência de acompanhar a criança na internação hospitalar, indicando que a maioria utilizou estratégias de enfrentamento caracterizadas por atitudes facilitadoras. As redes de relações sociais significativas indicaram o pai fornecendo maior apoio à família durante a hospitalização, além dos vizinhos e amigos como pessoas próximas aos acompanhantes, auxiliando com os cuidados da casa e filhos. No contexto do hospital, os porteiros e copeiros foram considerados pessoas que apresentaram uma atitude acolhedora na perspectiva dos acompanhantes, que também citaram os enfermeiros como as pessoas mais significativas da equipe de saúde. Destaca-se a importância dos profissionais de saúde infantil receberem formação para compreender como acessar e interpretar as significações das crianças e seus acompanhantes, a fim de possibilitar que o hospital se configure efetivamente em um contexto de desenvolvimento humano.
Descrição: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Florianópolis, 2010
URI: http://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/103271
Data: 2013-07-16


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