Dissolução e espetacularização da morte na televisão: uma visão interdisciplinar sobre o fenômeno nos telejornais brasileiros

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Dissolução e espetacularização da morte na televisão: uma visão interdisciplinar sobre o fenômeno nos telejornais brasileiros

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Título: Dissolução e espetacularização da morte na televisão: uma visão interdisciplinar sobre o fenômeno nos telejornais brasileiros
Autor: Souza, Carlos Alberto de
Resumo: A pesquisa traz para a discussão a morte na sociedade contemporânea, tomando como ponto de partida o debate sociológico apresentado por duas correntes teóricas: uma defende que a morte foi ocultada no meio social, a outra acredita que a televisão e os meios de comunicação tornaram público o fenômeno. Diante da polêmica, decidiu-se analisar o Jornal Nacional (JN), programa jornalístico da Rede Globo de Televisão, e o Jornal da Cultura (JC), da TV Cultura, emissora educativa. Chega-se a conclusão, na investigação, que os telejornais não colaboram para tornar o fenômeno público (tal como era nas sociedades tradicionais). A notícias ao darem destaque a assassinatos, atentados terroristas, acidentes, doenças geram, junto ao público, temor a respeito do assunto morte. Por outro lado, como matéria principal dos telejornais, por despertar a curiosidade e favorecer os índices de audiência, reserva-se espaços prioritários a esta informação (ela vende), porém nem tudo pode ser exibido. Percebe-se assim uma dissonância entre o dito e o mostrado. Falasse em muitas mortes, repete-se muito as notícias (banaliza-se), mas poucas vezes ela aparece e quando isso acontece, da forma nua e crua, gera o protesto dos espectadores e inibe novas difusões. Para apresentá-la é necessário, antes, transfigurá-la, por meio de um processo de manipulação que envolve várias técnicas -corte, angulação, sonoplastia, velocidade (troca intermitente de notícias) descontextualização, dramatização. Este conjunto de elementos possibilita o tratamento e a transformação da notícia em espetáculo. E nele a ênfase é no novo, no inusitado, naquilo que chama a atenção - fogo, destruição, resgate, tensão, drama, emoção. Ao mesmo tempo em que modifica a realidade, subtraindo da imagem 'o mal', por meio de um processo de estetização, a TV ao noticiar a morte dos outros contribui para disseminar o mito da imortalidade, como também torna imortal os famosos, os ricos e as personalidades do mundo social.
Descrição: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-graduação em Ciências Humanas.
URI: http://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/101570
Data: 2005


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