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<title>Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social</title>
<link>https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/75030</link>
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<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 14:35:15 GMT</pubDate>
<dc:date>2026-09-05T14:35:15Z</dc:date>
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<title>"Enfrentando a papelada": paradoxos e contradições no fazer burocrático de um Instituto Federal de Educação</title>
<link>https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275307</link>
<description>"Enfrentando a papelada": paradoxos e contradições no fazer burocrático de um Instituto Federal de Educação
Moura, Fernando Augusto Groh de Castro
Esta tese consiste em uma pesquisa etnográfica realizada no IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), na qual explorei os paradoxos e contradições existentes nas dinâmicas burocráticas de seu órgão administrativo central, a Reitoria. Em nove meses de intenso trabalho de campo, além das conversas informais e entrevistas individuais com diversas pessoas que trabalham em diferentes setores desse órgão, pude acompanhar reuniões variadas, desde encontros semanais entre equipes diretivas de departamentos, comitês e comissões, passando por reuniões de planejamento de setor e grupos de trabalho, até reuniões oficiais de órgãos colegiados e eventos públicos institucionais. De acordo com o conteúdo dessas reuniões, segui os elementos que eram ali acionados: tanto as leis, regramentos, documentos, processos e procedimentos que nelas eram discutidos, construídos ou executados, quanto as ferramentas utilizadas, como planilhas, formulários, sistemas e plataformas informatizadas. Além disso, realizei uma complementação do trabalho de campo em Portugal, dialogando com pessoas que trabalham no IPP (Instituto Politécnico do Porto) nos chamados ?Serviços da Presidência?, órgão administrativo central de lá, no qual entrevistei tanto pessoas que não possuem nenhum cargo específico, passando por aquelas que ocupam cargos de coordenação, direção, pró-presidentes, vice-presidentes até o dirigente máximo da instituição, o presidente do IPP. Ao investigar as práticas de servidores e servidoras, busquei compreender etnograficamente a fricção produzida entre o modelo weberiano de burocracia como organização racional e impessoal e as teorias nativas localmente mobilizadas. O percurso etnográfico realizado permitiu evidenciar que as dinâmicas burocráticas institucionais, mais que simples expressões de racionalidades administrativas neutras e meros mecanismos de implementação de políticas públicas, constituem espaços densos de produção de realidade, nos quais se articulam classificações, dispositivos documentais, regimes de verdade, produção de moralidades, disputas interpretativas e operações de poder que constróem os termos de inteligibilidade da vida institucional. Busquei demonstrar que as burocracias são espaços profundamente ambíguos, onde diferentes racionalidades coexistem e entram em tensão. Ao lado da linguagem gerencial e dos imperativos de eficiência, persistem compromissos éticos ligados à ideia de educação pública, projetos pedagógicos orientados por princípios de igualdade e narrativas institucionais centradas na formação cidadã. No entrelaçamento de racionalidades burocráticas, pedagógicas, morais e gerenciais, as controvérsias analisadas nesta tese mostram que o que se anuncia como procedimento administrativo é, frequentemente, política condensada. Nesse contexto, o neoliberalismo opera menos como um sistema coerente e totalizante e mais como uma racionalidade política difusa, que introduz no interior das instituições públicas princípios de inteligibilidade em disputa: eficiência, desempenho, competitividade, responsabilização individual e mensuração permanente de resultados. Longe de desaparecer no suposto declínio do Estado sob a égide do neoliberalismo, a burocracia permanece como um interessante locus de investigação da vida política moderna, que contribui para uma compreensão antropológica mais ampla das transformações contemporâneas do Estado, o qual se reconfigura por meio de novos dispositivos de governo, novas linguagens de gestão e novas formas de produção de verdade. As burocracias, nesse processo, permanecem como espaços centrais onde se articulam poder, conhecimento e moralidade, nos quais se disputam, cotidianamente, as formas possíveis de organizar a vida coletiva.; Abstract: This dissertation presents an ethnographic study carried out at IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), through which I examine the paradoxes and contradictions embedded in the bureaucratic dynamics of its central administrative body, the Rectorate. Over nine months of intensive fieldwork, in addition to informal conversations and individual interviews with several people working in different sectors of this body, I was able to observe a wide range of meetings, from weekly gatherings between departmental management teams, committees, and commissions, to sector planning meetings, working groups, official meetings of collegiate bodies, and institutional public events. According to the content of these meetings, I followed the elements mobilized within them: both the laws, regulations, documents, processes, and procedures discussed, constructed, or enacted there, as well as the tools employed, such as spreadsheets, forms, systems, and digital platforms. Furthermore, I conducted a complementary stage of fieldwork in Portugal, engaging with people working at Instituto Politécnico do Porto (IPP) in the so-called ?Presidency Services,? its central administrative body, where I interviewed individuals occupying a wide range of positions, from staff members without specific managerial roles to coordinators, directors, pro-presidents, vicepresidents, and the institution?s highest authority, the President of IPP. By investigating the practices of civil servants and administrative staff, I sought to ethnographically understand the friction produced between the Weberian model of bureaucracy as a rational and impersonal organization and the locally mobilized native theories. The ethnographic trajectory undertaken made it possible to demonstrate that institutional bureaucratic dynamics, rather than being mere expressions of neutral administrative rationalities or simple mechanisms for implementing public policies, constitute dense spaces of reality production in which classifications, documentary dispositifs, regimes of truth, moral productions, interpretative disputes, and operations of power intertwine to construct the terms through which institutional life becomes intelligible. I sought to demonstrate that bureaucracies are profoundly ambiguous spaces in which different rationalities coexist and enter into tension. Alongside managerial language and imperatives of efficiency, ethical commitments linked to the idea of public education persist, as do pedagogical projects guided by principles of equality and institutional narratives centered on civic formation. Within the intertwining of bureaucratic, pedagogical, moral, and managerial rationalities, the controversies analyzed in this thesis reveal that what is presented as administrative procedure is frequently condensed politics. In this context, neoliberalism operates less as a coherent and totalizing system and more as a diffuse political rationality that introduces into public institutions contested principles of intelligibility: efficiency, performance, competitiveness, individual accountability, and the permanent measurement of results. Far from disappearing under the supposed decline of the State under neoliberalism, bureaucracy remains a particularly fruitful locus for investigating modern political life, contributing to a broader anthropological understanding of the contemporary transformations of the State, which is reconfigured through new governmental dispositifs, new managerial languages, and new forms of truth production. In this process, bureaucracies remain central spaces where power, knowledge, and morality intersect, and where the possible ways of organizing collective life are disputed on a daily basis.
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2026.
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<pubDate>Thu, 01 Jan 2026 00:00:00 GMT</pubDate>
<guid isPermaLink="false">https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275307</guid>
<dc:date>2026-01-01T00:00:00Z</dc:date>
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<title>A deriva dos corpos é onde a memória faz morada: práticas de registro e arquivamento de corpos dissidentes</title>
<link>https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275194</link>
<description>A deriva dos corpos é onde a memória faz morada: práticas de registro e arquivamento de corpos dissidentes
Martini, Benjamin Colato
Esta dissertação investiga as práticas de registro mobilizadas por pessoas trans como tecnologias corporais de autorreflexividade e produção de si. O trabalho analisa diários escritos, fotografias, audiovisuais, prontuários médicos, performances e narrativas biográficas como formas de arquivamento da experiência, compreendidas não apenas como instrumentos de memória, mas como dispositivos ativos de fabricação de temporalidades e modos de existência. Ao longo da pesquisa, evidencia-se que o registro não opera como simples reconstituição do passado, mas como prática performativa que reorganiza o tempo vivido, produzindo sentidos retrospectivos e abrindo possibilidades de futuro. A noção de ?etnografia disfórica? é mobilizada para descrever um modo de produção de conhecimento atravessado pelo mal-estar diante das fronteiras entre sujeito e objeto, pesquisador e campo, documento e experiência. Tal perspectiva permite compreender o arquivo não como instância externa e neutra, mas como uma zona de contato, contágio e transformação recíproca. Por fim, a pesquisa argumenta que as práticas auto-registradoras entre pessoas trans constituem formas de disputa pelo corpo, pelos territórios e pelo tempo, nas quais escrever, fotografar, filmar e performar a própria experiência se apresentam como gestos éticos, estéticos e políticos de resistência às normatividades cisheterogêneas e aos regimes biomédicos de classificação.; Abstract: This dissertation investigates the recording practices mobilized by trans people as bodily technologies of self-reflexivity and self-production. The study analyzes written diaries, photographs, audiovisual materials, medical records, performances, and biographical narratives as forms of archiving experience, understood not only as instruments of memory but as active devices for the fabrication of temporalities and modes of existence. Throughout the research, it becomes evident that recording does not operate as a simple reconstruction of the past, but as a performative practice that reorganizes lived time, producing retrospective meanings and opening up possibilities for the future. The notion of ?dysphoric ethnography? is mobilized to describe a mode of knowledge production permeated by discomfort regarding the boundaries between subject and object, researcher and field, document and experience. This perspective allows the archive to be understood not as an external and neutral instance, but as a zone of contact, contagion, and reciprocal transformation. Finally, the research argues that self-recording practices among trans people constitute forms of dispute over bodies, territories, and time, in which writing, photographing, filming, and performing one?s own experience appear as ethical, aesthetic, and political gestures of resistance to cisheteronormative frameworks and biomedical regimes of classification.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2026.
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<pubDate>Thu, 01 Jan 2026 00:00:00 GMT</pubDate>
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<title>As flores invisíveis das mãos: entre roças e rezos na Tekoa Tarumã (SC)</title>
<link>https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275127</link>
<description>As flores invisíveis das mãos: entre roças e rezos na Tekoa Tarumã (SC)
Ferezin, Julia Andrade
Nesta pesquisa, a partir de interlocuções com pessoas e coletivos Guarani e de uma revisão bibliográfica, reflito sobre o ma'et? reko: os saberes, desejos e modos de vida e de comunicação ligados ao plantio guarani. Através do trabalho etnográfico realizado junto à comunidade guarani mbya da Tekoa Tarumã, na Terra Indígena Tarumã, no litoral norte de Santa Catarina, pude acompanhar os modos como os Guarani organizam suas vidas de forma a poder cuidar com carinho da Yvyrupa ? leito terrestre de existência. E, para isso, buscam, apesar de todas as dificuldades (de ordem cosmológica e jurídico-política), poder viver como Nhanderu kuery e Nhandexy kuery ensinaram nos tempos originários e ensinam até hoje: cantando, rezando, fumando (-pita), frequentando a casa de reza (opy´i) visitando parentes (hetarã kuery), cultivando suas roças (kokue) e a alegria (-vy´a) que, nesta yvy vai, terra de sofrimentos e testes, é necessária para conseguir permanecer firme no mundo. Ao longo de três capítulos, esta dissertação trata das práticas entrelaçadas de composição de pessoas e de territórios guarani. Busquei conferir especial atenção aos olhares que as kunhangue, mulheres guarani, lançam sobre essas práticas, levando em conta a importância de que as pessoas guarani possam seguir diversos resguardos (?dietas?) durante os períodos de gestação, de trabalho de parto e de puerpério para se ter saúde (texãi reko), noção que abarca também os tekoa, territórios guarani, e necessidade de se saber conviver com uma multiplicidade de seres que habitam o cosmos.; Abstract: In this research, based on conversations with Guarani people and communities and a bibliographical review, I reflect on the ?ma'et? reko?: the knowledge, desires, and ways of life and communication connected to Guarani agriculture. Through ethnographic work carried out with the Guarani Mbya community of Tekoa Tarumã, in the Tarumã Indigenous Territory, on the northern coast of Santa Catarina, I was able to observe the ways in which the Guarani organize their lives so that they can tenderly care for Yvyrupa ? the terrestrial floor of existence. In order to do so, despite all the difficulties (cosmological and legal-political ones), they seek to live as Nhanderu kuery and Nhandexy kuery taught in ancient times and continue to teach today: singing, praying, smoking (-pita), attending the house of prayer (opy´i), visiting relatives (hetarã kuery), cultivating their gardens (kokue), and cultivating joy (-vy´a), which, in this yvy vai, land of suffering and trials, is necessary to remain grounded in this world. Over the course of three chapters, this dissertation deals with the intertwined practices of composition of Guarani people and territories. I will give special attention to the kunhangue (guarani women) perspectives on these practices, taking into account the importance of Guarani people following various precautions (?diets?) during pregnancy, labor, and the postpartum moments in order to produce health (texãi reko), a notion that also encompasses the tekoa, Guarani territories, and the need to know how to coexist with a multiplicity of beings that inhabit the cosmos.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2026.
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<pubDate>Thu, 01 Jan 2026 00:00:00 GMT</pubDate>
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<title>A raiz te põe forte: poéticas quilombolas no alinhavar de famílias, festas e ancestralidade no Quilombo de Pinhões</title>
<link>https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275070</link>
<description>A raiz te põe forte: poéticas quilombolas no alinhavar de famílias, festas e ancestralidade no Quilombo de Pinhões
Dias, Lúnia Costa
Esta tese pretende tatear poéticas quilombolas no seu alinhavar das famílias, festas e ancestralidade no Quilombo de Pinhões. Localizado na região metropolitana de Belo Horizonte ? Minas Gerais, mais especificamente no município de Santa Luzia, o Quilombo de Pinhões tem suas origens atribuídas ao início do século XVIII, quando da construção do Mosteiro de Macaúbas em região limítrofe à Sesmaria de Bicas. Nas extremas entre as duas sesmarias as famílias fazem raízes na tecitura de ?linhas de fuga?, evocando, em movências festivas, o Quilombo. Nos propusemos a acompanhar os cotidianos de mulheres quilombolas, amigas e interlocutoras de pesquisa, em seus modos de não se deixar capturar. A partir da noção de famílias raízes acionada pelas quilombolas orientamos nossa atenção para as raízes em seus arranjos de feitura e relações entre famílias, festas e ancestralidade. No Quilombo de Pinhões, as raízes carregam um conjunto de práticas, relações e memórias produzidas e atualizadas no alinhavo de fazer família e fazer festa, compondo movências em curvas, desenhos espirais ? de tempo, território e ancestralidade. O quilombo de Pinhões, a partir das raízes, criativamente, promove modos de vida e relação insurgentes diante de modulações colonialistas forjadas no tempo da escravidão e atualizadas nos arranjos dos chamados ?projetos de desenvolvimento?. Pretendemos, assim, compor, junto às poéticas quilombolas, compreensões sobre as relacionalidades evocadas pelas raízes em suas alianças com as famílias, as festas e a ancestralidade na feitura do Quilombo.; Abstract: This thesis seeks to explore quilombola poetics in the weaving of families, celebrations, and ancestry in the Quilombo of Pinhões. Located in the metropolitan region of Belo Horizonte, Minas Gerais?more specifically in the municipality of Santa Luzia?Pinhões traces its origins back to the early 18th century, around the time of the construction of the Monastery of Macaúbas, near the Sesmaria de Bicas. On the borders between these two sesmarias, families laid down roots through what can be seen as ?lines of flight,? evoking the quilombo through festive movements. We set out to accompany the daily lives of quilombola women?friends and research interlocutors?observing their ways of resisting capture. Drawing from the notion of famílias raízes (rooted families), a term used by the quilombolas themselves, our focus turns to the crafting of roots and the relationships that interweave families, festivities, and ancestry. In the Quilombo of Pinhões, roots carry a set of practices, relationships, and memories that are continually produced and renewed through the acts of making family and making festivity, shaping movements in curves and spiral patterns?of time, territory, and ancestry. Through these roots, the Quilombo of Pinhões creatively fosters insurgent ways of life and relation in the face of colonialist modulations?first forged during the era of slavery and now perpetuated by so-called ?development projects.? In this thesis, we aim to compose, alongside quilombola poetics, understandings of the relationalities invoked by roots in their alliances with families, festivities, and ancestry in the making of the Quilombo.
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2026.
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<pubDate>Thu, 01 Jan 2026 00:00:00 GMT</pubDate>
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<dc:date>2026-01-01T00:00:00Z</dc:date>
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