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<title>TCC Relações Internacionais</title>
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<dc:date>2026-10-04T17:11:30Z</dc:date>
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<title>O caminho do céu passa pelo Norte: análise da instrumentalização de missões transconfessionais pela política externa dos Estados Unidos na Amazônia brasileira (1910-1988)</title>
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<description>O caminho do céu passa pelo Norte: análise da instrumentalização de missões transconfessionais pela política externa dos Estados Unidos na Amazônia brasileira (1910-1988)
Costa, Mayla Yasmim dos Santos
A Amazônia configura um espaço socialmente produzido. Inventada no interior do capitalismo como fronteira permanente de recursos, a região foi disputada por narrativas que buscaram apagar a densidade e a complexidade das culturas e povos que a habitam. Nesse território, a marcha do colonizador e a do missionário raramente deixaram pegadas distintas. Esta pesquisa examina como missões transconfessionais estadunidenses, de cunho evangélico, foram instrumentalizadas pela política externa dos Estados Unidos para a manutenção hegemônica na Amazônia brasileira entre 1910 e 1988. Sob essa perspectiva, compreende-se a expansão missionária como forma ideológica decorrente de determinações materiais que articulam fé, política externa e a inserção da Amazônia na Divisão Internacional do Trabalho. Para tanto, adota-se o materialismo histórico-dialético como orientação teórica metodológica e mobilizam-se a teoria gramsciana a partir dos Aparelhos Privados de Hegemonia, a formulação althusseriana dos Aparelhos Ideológicos de Estado, as leituras gramscianas acerca da hegemonia nas Relações Internacionais e o debate sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo weberiano. De natureza qualitativa, a investigação combina revisão bibliográfica, análise documental de registros missionários e de documentos oficiais brasileiros e estadunidenses, exame de fontes jornalísticas e estudo comparado de quatro organizações  (WEC, UFM, MNTB e SIL), com centralidade analítica no SIL, tomando o rio Jatapu, território dos povos Okoymoyana, Xowyana e Kararayana, como estudo de caso empírico. Os resultados evidenciam que a fé, articulada à assistência social, permitiu às missões ocupar o espaço de um Estado periférico deliberadamente ausente. Tal engrenagem viabilizou a fabricação do consenso via assistência material e a difusão de uma ética individualista e escatológica que deslocou o conflito social para o plano espiritual. Ademais, gerou conhecimento linguístico, geográfico e demográfico posteriormente mobilizado por agências governamentais e empresas estrangeiras. No Jatapu, a sequência cronológica entre a presença missionária, o deslocamento forçado, o apagamento dos etnônimos e a consequente abertura do território à mineração e à extração madeireira demonstra como a conquista das almas antecede e viabiliza a exploração do subsolo. A partir dessa análise, o trabalho propõe três contribuições conceituais: o Aparelho Privado de Hegemonia Transnacional; o Aparelho Privado de Hegemonia Transconfessional, especificado por seis critérios operacionais: transnacionalidade, autonomia denominacional, especialização técnica na tríade fé-educação-saúde, ciclo de autoctonia, invisibilidade territorial e inteligência estratégica; e o sincretismo enquanto dialética, compreendido simultaneamente como ato de resistência subalterna e condição de durabilidade da hegemonia. Aplicados às quatro organizações analisadas, os critérios produzem resultado deliberadamente heterogêneo, de modo que a categoria não distribui rótulos de pertencimento, mas mede graus de especialização, permitindo identificar, em outros tempos e espaços, a modalidade específica de aparelho que submete a terra ao capital por meio da fé e diferenciá-la de ações missionárias que não cumprem essa função. Em síntese, as evidências são consistentes com as hipóteses da pesquisa, com a ressalva de que o efeito estrutural de permeabilização do território independe da intencionalidade individual dos agentes missionários e de que a reconstituição da cadeia causal completa foi viável apenas em território indígena documentado por processo demarcatório. A dominação, contudo, revela-se incompleta: recusas, expulsões e retornos sazonais ao território ancestral inscrevem, na própria documentação do domínio, a permanência da luta hegemônica.; The Amazon is a socially produced space. Invented within capitalism as a permanent resource frontier, the region has been disputed by narratives that sought to erase the density and complexity of the cultures and peoples who inhabit it. In this territory, the march of the colonizer and that of the missionary have rarely left distinct footprints. This research examines how United States transconfessional missions of an evangelical character were instrumentalized by US foreign policy for hegemonic maintenance in the Brazilian Amazon between 1910 and 1988. From this perspective, missionary expansion is understood as an ideological form arising from material determinations that articulate faith, foreign policy, and the insertion of the Amazon into the International Division of Labor. To this end, historical-dialectical materialism is adopted as the theoretical-methodological orientation, drawing upon Gramscian theory on the Private Apparatuses of Hegemony, Althusser's formulation of the Ideological State Apparatuses, Gramscian perspectives on hegemony in International Relations, and the debate on Weber's Protestant ethic and the spirit of capitalism. Qualitative in nature, the investigation combines a literature review, documentary analysis of missionary records and of Brazilian and United States official documents, examination of journalistic sources, and a comparative study of four organizations (WEC, UFM, MNTB, and SIL), with analytical centrality on SIL, taking the Jatapu River, territory of the Okoymoyana, Xowyana, and Kararayana peoples, as an empirical case study. The results show that faith, articulated with social assistance, allowed the missions to occupy the place of a deliberately absent peripheral State. This machinery enabled the fabrication of consent through material assistance and the diffusion of an individualist and eschatological ethic that displaced social conflict onto the spiritual plane. It further generated linguistic, geographic, and demographic knowledge subsequently mobilized by government agencies and foreign companies. In the Jatapu, the chronological sequence linking missionary presence, forced displacement, the erasure of ethnonyms, and the consequent opening of the territory to mining and logging demonstrates how the conquest of souls precedes and enables the exploitation of the subsoil.&#13;
From this analysis, the work proposes three conceptual contributions: the Transnational Private Apparatus of Hegemony; the Transconfessional Private Apparatus of Hegemony, specified by six operational criteria: transnationality, denominational autonomy, technical specialization in the faith-education-health triad, cycle of autochthony, territorial invisibility, and strategic intelligence; and syncretism as dialectic, understood simultaneously as an act of subaltern resistance and a condition for the durability of hegemony. Applied to the four organizations analyzed, the criteria yield a deliberately heterogeneous result, so that the category does not assign labels of membership but measures degrees of specialization, making it possible to identify, in other times and places, the specific type of apparatus that subjects land to capital through faith and to distinguish it from missionary undertakings that do not perform this function. In sum, the evidence is consistent with the hypotheses of this research, with the caveat that the structural effect of rendering territory permeable does not depend on the individual intentionality of missionary agents, and that the full causal chain could only be reconstructed in an indigenous territory documented by a demarcation process. Domination, however, proves incomplete: refusals, expulsions, and seasonal returns to ancestral territory inscribe, within the very documentation of domination, the persistence of hegemonic struggle.
TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Socioeconômico, Relações Internacionais.
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<dc:date>2026-08-14T00:00:00Z</dc:date>
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<title>Democracia e liberdade de expressão na era digital: IA-tocracia?</title>
<link>https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276765</link>
<description>Democracia e liberdade de expressão na era digital: IA-tocracia?
Gomes, Luan Vinícius Taketa
Na presente monografia são analisadas as transformações que o desenvolvimento&#13;
das tecnologias digitais, desde as redes sociais à Inteligência Artificial (IA) generativa,&#13;
vêm impondo aos conceitos de democracia e liberdade de expressão, historicamente&#13;
constituídos no interior da modernidade capitalista. O problema de pesquisa indaga&#13;
de que modo essas transformações têm implicado mudanças significativas para os&#13;
regimes democráticos e para as garantias do direito à liberdade de expressão em&#13;
distintos países. O objetivo geral é analisar, por meio de pesquisa documental e&#13;
bibliográfica, as transformações nas noções sobre democracia e liberdade de&#13;
expressão decorrentes da incorporação crescente de tecnologias digitais à economia&#13;
e à política, com atenção às assimetrias entre países desenvolvidos e em&#13;
desenvolvimento. O referencial teórico articula três interlocutores centrais: Norberto&#13;
Bobbio, a partir de cujas obras se discutem as noções de democracia como conjunto&#13;
de regras em transformação permanente, a dicotomia público/privado e as formas&#13;
visíveis e invisíveis de poder; Jürgen Habermas, com cuja teoria da esfera pública se&#13;
reconstroem as condições históricas de formação da opinião pública e sua progressiva&#13;
subordinação às lógicas do capital; e Giovanni Sartori, cujo conceito de homo videns&#13;
permite compreender o empobrecimento cognitivo produzido pela televisão e&#13;
amplificado pelas plataformas digitais. A metodologia é qualitativa, baseada em&#13;
pesquisa bibliográfica e documental. Os resultados indicam que o pressuposto&#13;
bobbiano de alternativas reais para o exercício democrático é sistematicamente&#13;
comprometido por sistemas de recomendação algorítmica opacos, que operam&#13;
segundo lógicas de maximização do engajamento emocional em detrimento da&#13;
deliberação racional. O caso da Meta e as declarações de Zuckerberg de fevereiro de&#13;
2025 revelam que o discurso da liberdade de expressão tem sido instrumentalizado&#13;
pelas Big Techs para resistir à regulamentação e expandir mercados, enquanto o caso&#13;
brasileiro demonstra que as disputas em torno da regulação das plataformas são, em&#13;
última instância, disputas pela soberania nacional frente ao poder das corporações&#13;
transnacionais. A análise da IA, com apoio no estudo empírico de Beraja (et al., 2023)&#13;
sobre a China, demonstra que essa tecnologia pode ser mobilizada tanto para&#13;
consolidar regimes autoritários quanto para ampliar a competitividade internacional&#13;
das empresas contratadas, configurando o que os autores denominam IA-tocracia.&#13;
Conclui-se que as transformações digitais não destroem a democracia, mas a&#13;
reconfiguram em condições inéditas, exigindo mecanismos de governança&#13;
simultaneamente cautelosos, ágeis e inclusivos.; This monograph analyzes the transformations that the development of digital&#13;
technologies – from social media to generative Artificial Intelligence (AI) – has been&#13;
imposing on the concepts of democracy and freedom of expression, historically&#13;
constituted within capitalist modernity. The research question asks how these&#13;
transformations have implied significant changes for democratic regimes and for the&#13;
guarantees of freedom of expression across different countries. The general objective&#13;
is to analyze, through documentary and bibliographic research, the transformations in&#13;
the notions of democracy and freedom of expression resulting from the growing&#13;
incorporation of digital technologies into the economy and politics, with attention to the&#13;
asymmetries between developed and developing countries. The theoretical framework&#13;
articulates three central interlocutors: Norberto Bobbio, whose works provide the&#13;
conceptual tools to discuss democracy as a permanently transforming set of rules, the&#13;
public/private dichotomy, and the visible and invisible forms of power; Jürgen&#13;
Habermas, whose theory of the public sphere reconstructs the historical conditions of&#13;
public opinion formation and its progressive subordination to the logics of capital; and&#13;
Giovanni Sartori, whose concept of the homo videns illuminates the cognitive&#13;
impoverishment produced by television and amplified by digital platforms. The&#13;
methodology is qualitative, based on bibliographic and documentary research. The&#13;
results indicate that Bobbio's presupposition of real alternatives for democratic&#13;
exercise is systematically undermined by opaque algorithmic recommendation&#13;
systems, which operate according to logics of emotional engagement maximization at&#13;
the expense of rational deliberation. The case of Meta and Zuckerberg's declarations&#13;
of February 2025 reveal that the discourse of freedom of expression has been&#13;
instrumentalized by Big Techs to resist regulation and expand markets, while the&#13;
Brazilian case demonstrates that the disputes around platform regulation are,&#13;
ultimately, disputes over national sovereignty against the power of transnational&#13;
corporations. The analysis of AI, drawing on the empirical study by Beraja et al. (2023)&#13;
on China, demonstrates that this technology can be mobilized both to consolidate&#13;
authoritarian regimes and to enhance the international competitiveness of contracted&#13;
firms, configuring what the authors call AI-tocracy. It is concluded that digital&#13;
transformations do not destroy democracy, but reconfigure it under unprecedented&#13;
conditions, demanding governance mechanisms that are simultaneously cautious,&#13;
agile, and inclusive.
TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Socioeconômico, Relações Internacionais.
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<dc:date>2026-08-12T00:00:00Z</dc:date>
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<item rdf:about="https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276764">
<title>Entre proxies e voluntários: o papel dos atores não estatais na guerra cibernética russo-ucraniana</title>
<link>https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276764</link>
<description>Entre proxies e voluntários: o papel dos atores não estatais na guerra cibernética russo-ucraniana
Gontijo, Sofia Santiago Silva
Este trabalho investiga em que medida a atuação de atores não estatais no ciberespaço reconfigura esse domínio como arena de conflito armado, tomando o conflito russo-ucraniano como exemplo analítico. Parte-se do pressuposto de que essa atuação torna a atribuição de responsabilidade estruturalmente mais difícil, expandindo a zona cinzenta na qual Estados projetam poder coercitivo sem acionar os mecanismos formais de resposta previstos pelo direito internacional, e da hipótese de que a instrumentalização desses atores como proxies dissolve a fronteira entre crime organizado e operação de inteligência estatal, redistribuindo de forma assimétrica os custos e riscos das operações ofensivas. Metodologicamente, adota-se a abordagem de análise de exemplo qualitativo comparado, com recorte temporal que recupera o processo histórico anterior à invasão de fevereiro de 2022, incluindo a formação do Estado ucraniano, a polarização identitária entre populações russófona e ucranófona, a anexação da Crimeia e episódios cibernéticos anteriores ao conflito armado. O referencial teórico articula os conceitos de novas guerras de Mary Kaldor, ciberpoder de Joseph Nye e interdependência complexa de Robert Keohane, complementados pela incorporação da Gibridnaya Voyna como referencial endógeno ao pensamento estratégico russo. A análise compara dois modelos de mobilização de atores não estatais: o caso russo, caracterizado pela instrumentalização vertical de hackers patrióticos, grupos hacktivistas e cibercriminosos como proxies estatais; e o caso ucraniano, marcado pela mobilização horizontal e voluntária de indivíduos sem vínculo institucional, articulada por meio de estruturas como o IT Army. Os resultados apontam uma tendência de confirmação a hipótese: em ambos os casos, a ambiguidade quanto à atribuição não é um efeito colateral do ciberespaço, mas um recurso estratégico deliberadamente construído e mantido pelos atores envolvidos. O trabalho conclui que o conflito russo-ucraniano constitui um caso inaugural de uma transformação estrutural na internacionalização dos conflitos armados, na qual indivíduos passam a participar diretamente de uma guerra independentemente de sua localização geográfica e da posição oficial de seus Estados de origem, colocando desafios ainda não equacionados pelo direito internacional dos conflitos armados.
TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Socioeconômico, Relações Internacionais.
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<dc:date>2026-07-08T00:00:00Z</dc:date>
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<title>Poder corporativo e responsabilização internacional: uma análise da lacuna normativa nas cadeias globais de valor</title>
<link>https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/274594</link>
<description>Poder corporativo e responsabilização internacional: uma análise da lacuna normativa nas cadeias globais de valor
Roos, Caroline Natália
Este trabalho analisa a fragmentação da responsabilidade jurídica das corporações transnacionais (CTNs) no sistema internacional e sua relação com a organização das Cadeias Globais de Valor (CGVs). A pesquisa busca responder à seguinte questão: de que maneira a estrutura das CGVs e o descompasso entre o poder econômico das corporações transnacionais e os mecanismos jurídicos de responsabilização contribuem para a manutenção de lacunas normativas no Direito Internacional contemporâneo? Para responder a esse problema, o objetivo geral consiste em analisar essa relação, tendo como objetivos específicos discutir o debate teórico sobre a posição jurídica das CTNs no Direito Internacional, examinar a estrutura das CGVs como elemento que intensifica a fragmentação da responsabilidade jurídica e investigar a cadeia global do cobalto na República Democrática do Congo como estudo de caso. A pesquisa possui abordagem qualitativa, de natureza exploratória e explicativa, desenvolvida a partir de revisão bibliográfica interdisciplinar, análise de documentação jurídico-normativa e exame de decisões judiciais relacionadas à responsabilização de empresas em cadeias transnacionais de produção. Os resultados demonstram que a dificuldade de responsabilizar as corporações transnacionais não decorre de limitações técnicas ou jurídicas isoladas, mas da interação entre a arquitetura jurídica internacional centrada nos Estados, a organização societária e contratual das empresas e a lógica das Cadeias Globais de Valor, que dispersa a produção e fragmenta a atribuição de responsabilidades. Assim, a hipótese da pesquisa foi confirmada, evidenciando que as lacunas normativas decorrem de características estruturais do sistema internacional contemporâneo.
TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Socioeconômico, Relações Internacionais.
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<dc:date>2026-07-06T00:00:00Z</dc:date>
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